Céu fechado, trovão rolando solto e o clima na Câmara de Vereadores de Brumado não ficou pra trás.
A 12ª sessão parecia previsão do tempo político:
instabilidade total com chance alta de CPI.

O motivo?
Os vídeos da semana passada que deixaram a cidade inteira de queixo caído:
notebooks encaixotados, bolsas de professor abandonadas e revistas institucionais mofando, tudo largado no almoxarifado da SEMEC — enquanto alunos e professores penavam com falta de estrutura.

E o mais curioso?
Quem apareceu pra dar “explicações” foi ninguém menos que Carlos Magno, o Maguinho —
ex-secretário da antiga gestão e agora vereador que tenta apagar o fogo com gasolina.
Ele, que fez parte do governo que largou tudo aquilo lá, agora aparece em plenário como se estivesse fazendo denúncia de fora.
Mas o papel real de Maguinho nessa história não é de porta-voz da revolta, é de porta-voz da vergonha mesmo.

Tentando “descomplicar”, Maguinho correu atrás de justificativas com outros envolvidos — como se fosse jornalista investigativo de si mesmo.
Perguntou ao ex-secretário João Nolasco, que respondeu:
“Quando assumi, os notebooks estavam nas escolas. Pedi avaliação da equipe de informática, não deu pra recuperar. Como era lixo eletrônico, recolhemos e deixamos no almoxarifado.”
Já a ex-secretária Acácia Gondim, responsável pela distribuição dos equipamentos em 2011, foi direta:
“Foram distribuídos sim. Muitos já vieram com defeito. O equipamento era frágil demais. Alguns ficaram obsoletos, outros não chegaram nem a funcionar.”

Ou seja, a gestão passada comprou sabendo que o material era fraco, não consertou, não reaproveitou e nem jogou fora.
Virou enfeite de descaso — com o selo de “não pode reclamar, foi tudo com dinheiro do povo”.
Agora que o estrago veio à tona, Maguinho tenta colocar pano quente, falando manso, tentando parecer “técnico”, como se não tivesse nada a ver com o barraco.
Mas o povo não esquece:
ele era parte da engrenagem.
Enquanto isso, a ideia da CPI do Abandono ganha força.
Tem vereador afiando a caneta, tem grupo de zap fervendo e tem gente tentando correr do passado como quem tenta correr de chuva de granizo.
Só que não adianta:
o povo viu os vídeos. Viu as caixas. Viu o plástico.

E agora quer saber quem assinou a compra, quem não entregou e quem vai pagar a conta.
Porque uma coisa é certa:
se os notebooks não funcionam, o constrangimento está 100% operacional.
