O peso do diploma: Com mercado saturado e salários em baixa, jovens formados em Brumado enfrentam dilema da empregabilidade
O sonho de cursar uma faculdade como passaporte garantido para a estabilidade financeira e a ascensão social enfrenta um duro teste de realidade em Brumado. Nos últimos anos, a expansão de cursos e polos de ensino superior formou centenas de profissionais na Capital do Minério, mas a absorção pelo mercado de trabalho local não acompanhou o mesmo ritmo.
Enquanto atividades autônomas, comércio e serviços técnicos formalizados (como MEI) muitas vezes geram renda imediata equivalente ou superior, recém-graduados disputam poucas vagas formais no município, frequentemente submetendo-se a vínculos precarizados ou contratos temporários.
O contraste dessa realidade ganhou rosto e repercussão com a história de Stephane Coelho Barbosa, de 24 anos. Formada há dois anos em Biomedicina, ela não encontrou espaço de atuação na área e tomou a iniciativa de vender trufas artesanais pelas ruas da cidade para compor a renda da casa e ajudar a família. O caso de Stephane não é isolado: reflete a jornada de diversos bacharéis e licenciados em Brumado que, após anos de mensalidades e dedicação aos estudos, encaram salários de entrada reduzidos ou a necessidade de atuar fora da sua formação.
Em tempos em que o estudante avalia rigorosamente cada centavo investido, a cobrança sobre o que a faculdade entrega além da sala de aula é mais urgente do que nunca.
